“Não é o que você é que te limita, e sim o que você pensa que não é.”

Denis Waitley 

 

Muitos empreendimentos educacionais têm vida curta. De alguns deles nunca ouviremos falar. Será que todos fracassaram? Cremos que não. E vamos explicar por quê.

Qualquer empreendimento pressupõe metas. No caso de um empreendimento educacional, as metas serão de médio e longo prazos, já que a máxima se comprova: educar, em essência, é investir no futuro. Cada um de nós é o resultado de educadores empreendedores que trabalharam nos bastidores da nossas vidas, agindo quase que no anonimato. Muitos deles nem habitam mais a nossa consciência. Foram esquecidos. No entanto, guardamos modelos de conduta, conhecimentos, experiências e sentimentos que experimentamos ao longo da nossa formação e foram sinalizados ou transmitidos por todos que participaram do nosso desenvolvimento pessoal e contribuíram para que viéssemos a ser, hoje, indivíduos socialmente ativos. Cremos que esses educadores tiveram sucesso. Afinal, entre erros e acertos, como profissionais comprometidos com a missão de preparar pessoas para o mundo, cumprimos (nós e os queridos professores que passaram por nossas vidas) nossos papéis sociais.

Todo educador, portanto, é um empreendedor, já que investe tempo, energia e conhecimentos de forma sistemática e regular, a partir de uma abordagem previamente definida, para atingir suas metas – no caso da EDUCAÇÃO, as metas são a transformação das informações conceituais em conteúdo subjetivo do educando, para que ele seja capaz de resolver problemas e desenvolver habilidades autônomas que se revertam em benefício individual e social. Por isso, nem todos os que fazem parte do processo ensino-aprendizagem são empreendedores. Existe uma diferença muito grande entre transmitir conhecimento e educar. Alguns profissionais apenas transmitem os objetos de seus componentes curriculares. Porém, educar está além da transmissão de conhecimentos inerente a todas as práticas docentes. Educar exige a capacidade de se doar ao outro, o desejo pelo sucesso do outro, o compromisso de persistir mesmo quando o alvo das ações educacionais não deseja crescer, pois há metas a serem alcançadas que não são imediatistas. Por essas razões, educar demanda resiliência diante dos aparentes fracassos.

Neste post, falaremos de um empreendimento que, na perspectiva de muitos, fracassou. A questão que se apresenta, considerando o processo educacional como formação afetiva a médio e longo prazo na constituição de sujeitos autônomos, é: Será que fracassou, mesmo? Deixamos a você, caro leitor, o privilégio da opinião final. Você será desafiado, também, a olhar para dentro de si mesmo e considerar as suas qualidades como educador para responder a uma última pergunta.

Façamos, então, uma viagem no tempo…

Vamos retornar o calendário em 13 anos. É hora de conhecer o Hiperlivro, a biblioteca da Cidade do Conhecimento.

Nossos condutores nesse passeio são o João Monteiro, professor de Física, o Anderson Silva, professor de Química, e a Luzinete Mendonça, pedagoga. Os três detalham o empreendimento educacional Hiperlivro – a biblioteca Cidade do Conhecimento, que contou com precioso empenho de uma rede de profissionais aguerridos, dispostos a disponibilizar virtualmente, e antenados com o que de melhor a Tecnologia da Informação tinha a oferecer, ferramentas pedagógicas de alta qualidade em formato inovador e comprometido com a mais consistente construção de conhecimentos.

A Luzinete, responsável pela fundamentação pedagógica, apresenta o material didático. O João detalha a proposta através de três textos: o do evento de pré-lançamento do projeto em 04/10/2008; o Hiperlivro de Física, aos professores; e aos alunos. O Anderson, dono de um carisma sem igual, apresenta o Hiperlivro de Química também ao professores e alunos, mas através de dois vídeos.

Como nossa viagem no tempo é recuperação da memória de um projeto de seriedade e afeto, é fundamental destacar a participação inestimável de inúmeros grandes educadores, que participaram desse empreendimento imbuídos de idealismo e determinação, auxiliados por uma equipe de estagiários fabulosa, sem a qual não teríamos uma bela história para contar.
Podemos citar com orgulho o Roberto Dalmo, estagiário que trabalhou com o Anderson e hoje é professor de Química da Universidade Federal do Paraná. E as poderosas equipes técnicas! Faziam milagres, sob o comando da nossa designer e gerente Olívia Andrade.
Eram mais de 100 profissionais envolvidos. Uma equipe multidisciplinar, desenvolvendo um projeto que tinha o objetivo de integrar as diversas disciplinas através de ações multi-, inter-, trans-, poli- e até metadisciplinares.

Sem mais delongas, então, passemos a palavra aos educadores de 13 anos atrás.

Lá no final do passeio a gente se encontra de novo para concluir essa reflexão sobre a EDUCAÇÃO como empreendimento.

Boa viagem e até logo!

 

PRÉ-LANÇAMENTO DA PROPOSTA
Por João Monteiro

HIPERLIVRO

1-INTRODUÇÃO

Nosso objetivo aqui é apresentar a proposta Hiperlivro e destacar todas as vantagens de sua inserção no processo ensino-aprendizagem. Ao final, esperamos ter demonstrado que, dentre as possibilidades hoje existentes no campo educacional, o Hiperlivro é a ferramenta mais adequada à dinâmica da sociedade tecnológica, globalizada e, sobretudo, harmonizada aos anseios daqueles que são o vetor mais importante da prática educacional: os estudantes.

 

2-O QUE É O HIPERLIVRO

Hiperlivro é mais que um livro publicado na Web. É um material didático multidisciplinar que usa os recursos tecnológicos mais modernos e bastante conhecidos por quem navega pela Rede. No centro do ciberespaço, em meio à vibração intensa da circulação de dados e pessoas componente da vida virtual, desenvolvemos um objeto de aprendizagem único: o Portal E-Education Brazil. Nele, o estudante tem, sob orientação de educadores, a oportunidade de desenvolver atividades didaticamente planejadas em um ambiente que simula a realidade.

Hiperlivro e Portal E-Education Brazil são propostas distintas, porém, complementares. O Hiperlivro é a biblioteca do Portal, que, por sua vez, é constituído de inúmeras propostas harmonicamente integradas.

Para elaborar o Hiperlivro os autores buscaram, antes de tudo, absorver o conceito que hoje se tem de Web, a fim de entender como a “rede das redes” e a Internet podem contribuir para o crescimento de seus usuários. Tal qual a Web, o Hiperlivro está baseado em hipertextos e integra alguns dos serviços, ferramentas e recursos multimídia disponíveis. Por isso, pode ser considerado uma hipermídia. A escolha da “rede das redes” para a publicação do Hiperlivro é, portanto, uma ação perfeitamente “natural”, se considerarmos a ligação orgânica entre um e outro. Ao mesmo tempo, ter uma ferramenta como essa disponível permitirá ao estudante desenvolver uma leitura multidimensional, transdisciplinar e interdisciplinar, já que se trata de material didático multidisciplinar.

 

3-JUSTIFICATIVA E BENEFÍCIOS

Hoje, mais do que em qualquer época, a escola tem que buscar estratégias para atingir seus objetivos sociais. Os livros didáticos no formato tradicional têm dificuldades em corresponder à dinâmica de construção e propagação do conhecimento em uma realidade nova e desafiadora. Imersos em uma sociedade tecnológica e globalizada, muitos estudantes estão à deriva nesse universo de infinitas “impossibilidades”, pois os educadores, em sua maioria, se recusam a mergulhar em um oceano de novos meios e processos que parecem ameaçadores à primeira vista. As escolas, por sua vez, creditam a culpa pelo insucesso de muitas de suas propostas educacionais aos professores, em muitos casos lançando mão do discurso de que os docentes não se atualizam. O fato é que atualizações apresentam custo e envolvem tempo, fatores de que a conjuntura econômica do país torna difícil ao profissional dispor.

É nesse contexto que têm surgido propostas educacionais que buscam se harmonizar às necessidades de uma nova geração de estudantes cujos anseios e dúvidas são os mesmos dos jovens de qualquer geração anterior, mas que não conseguem enxergar a escola, as estratégias adotadas pelos educadores e os materiais didáticos como aliados no processo de crescimento (individual e social). Os motivos são os mais diversos, tendo em comum a relação direta com o boom tecnológico da sociedade da informação e do conhecimento: a não linearidade imposta pelas novas ferramentas tecnológicas; o fácil acesso à informação, replicada em velocidade nunca imaginada; o crescimento do conhecimento em proporções jamais vistas em épocas anteriores; as interações com indivíduos de outras culturas, ao mesmo tempo e em tempo real; enfim, a dinâmica desta nova sociedade, dependente das facilidades oferecidas pelas novas tecnologias e fundamentada em ideais globais. Esse é o pano de fundo propício à recepção do Hiperlivro.

O Hiperlivro, por sua proposta e formato, está em conexão com a sociedade tecnológica e globalizada. Sendo multidimensional, multi-, inter- e transdisciplinar, agrega um conjunto de ferramentas e diferentes mídias que permitem aos seus usuários (estudantes, professores e pais) interagir continuamente de forma tanto assíncrona (Hiperfórum, Hiperblog, e-mail, etc.) como síncrona (chat e VoIP).

Eis alguns benefícios do Hiperlivro:

    • Maiores eficiência e eficácia do processo de ensino-aprendizagem, através de recursos multimídia (muito mais imagens, animações, vídeos e outros objetos de aprendizagem)

 

    • Enriquecimento dos diferentes conteúdos, através de leituras complementares e links em conteúdos de sites variados.
    • Possibilidade de atualização dos conteúdos ao longo do período letivo, harmonizando o material didático à intensa dinâmica social e evolução do conhecimento.

 

    • Interação entre alunos e com professores e equipe multidisciplinar do Hiperlivro através do Hiperfórum, possibilitando esclarecimento de dúvidas, socialização de informações e questões de interesse comum, por exemplo.

 

    • Disponibilização de salas virtuais (chats) para interações síncronas de vários formatos: aulas, reuniões de estudos, dúvidas on-line, etc.

 

    • Ampliação do conhecimento de forma descontraída através do Hiperblog, espaço destinado à postagem de artigos, resenhas e curiosidades dos alunos.

 

    • Flexibilidade inerente ao formato, que permite constantes atualizações, mantendo-se permanentemente sintonizada com seu propósito de inovação e com a velocidade da sociedade da informação e do conhecimento.

 

4-ALIMENTAÇÃO DA DIN MICA E ADMINISTRAÇÃO DE USUÁRIOS EM AMBIENTE DE APRENDIZAGEM VIRTUAL

4.1-SOBRE A DINÂMICA INERENTE AO HIPERLIVRO

Quando, no item 2, apresentamos o Hiperlivro, destacamos algumas característica que lhe são peculiares:

      • Ele está publicado na Web.
      • Integra um conjunto de ferramentas tecnológicas bastante conhecidas.
      • É hipermídia, pois pode integrar imagens, sons, vídeos, animações, etc.
      • É um material didático multidimensional, pois, por ser hipertexto, permite uma leitura não linear.
      • É multidisciplinar, pois todos os saberes disciplinares podem ser linkados, segundo a conveniência e/ou necessidade, para que, tendo em mente diferentes perspectivas, o estudante possa fazer uma leitura mais fidedigna da realidade.
      • É interdisciplinar, pois saberes de diferentes disciplinas interdependentes são linkados, de forma a ampliar a compreensão da ideia que está sendo trabalhada.
      • É transdisciplinar, quando aos estudantes é viabilizado o trânsito natural entre diferentes saberes que se complementam e conduzem à compreensão do todo (o conhecimento).
      • Está inserido em uma rede de relacionamentos educacionais: o Portal E-Education Brazil – A Cidade do Conhecimento.

 

Tudo isso só é viável se uma equipe multidisciplinar atuar harmonicamente, alimentando a dinâmica e promovendo uma contínua atualização das tecnologias, práticas pedagógicas, estratégias e conteúdos.

 

4.2-A ALIMENTAÇÃO DA DINÂMICA

Entendam-se por alimentação da dinâmica as seguintes ações integradas:

      • Atualização das tecnologias, práticas pedagógicas, estratégias e conteúdos.
      • Produção de animações, vídeos, etc., segundo cronograma pré-estabelecido.
      • Pesquisa de conteúdos complementares, imagens e objetos de aprendizagem, que passarão a integrar o Hiperlivro.
      • Planejamento, estruturação e realização dos links entre os diferentes conteúdos, segundo um cronograma determinado previamente.
      • Inserção oportuna de recursos multimídia, segundo um cronograma.
      • Reavaliação contínua, sob a perspectiva pedagógica.

 

4.3-A ADMINISTRAÇÃO DE USUÁRIOS

A administração de usuários compreende todas as ações das equipes para que cada usuário possa utilizar o Hiperlivro com eficiência e eficácia:

      • Esclarecimento de dúvidas quanto ao manuseio do material didático.
        Interação de forma síncrona (chats, VoIP, etc.) ou assíncrona (através do
      • Hiperforum, Hiperblog, e-mails, etc.).
      • Controle segundo níveis de permissão de acesso aos conteúdos e atividades.
      • Sistema de e-commerce.

Vale destacar que disponibilizamos uma equipe de profissionais empenhados em garantir a eficácia do projeto, de forma que a estrutura do empreendimento seja continuamente avaliada. Isso permite que estejamos sempre alinhados com as eventuais necessidades de atualização e ajuste de nossos instrumentos educacionais.

 

5-CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nenhum material didático, por si só, dá conta da dinâmica da sociedade contemporânea. Somente uma proposta audaciosa que, de fato, rompa barreiras e quebre paradigmas pode se candidatar a participar do processo de ensino-aprendizagem de diferentes propostas educacionais e ainda assim ter sucesso. O Hiperlivro é essa proposta, pois permite que usuários e educadores de diferentes realidades participem, contribuam e interajam.

HIPERLIVRO DE FÍSICA

APRESENTAÇÃO
Por Luzinete Mendonça

É com prazer que entregamos aos estudantes de Ciência este Hiperlivro.

Ele não é apenas resultado do esforço e carinho dos professores que o idealizaram. É a rica memória da experiência de docentes, por vários anos, com estudantes do Ensino Médio e Ensino Fundamental II.

Ao apresentá-lo, gostaríamos de expor o que esse material didático lhes oferece:

1º) conteúdos de Física, Matemática, Geografia e outras disciplinas das várias áreas do conhecimento, desde os conceitos mais elementares e que fundamentam as definições que servem de estrutura para a construção dessas e de outras disciplinas científicas;

2º) metodologias de ensinagem das diferentes disciplinas, que permitem a construção do pensamento complexo.

A construção do pensamento complexo que pode e deve ser desenvolvido através da linguagem dialógica das ciências é, provavelmente, o maior desafio para os educadores do século XXI. De acordo com a concepção de Edgar Morin, até a metade do século XX, a maioria das ciências tinha por método de conhecimento a redução, ou seja, não se dava importância ao conhecimento do todo, mas ao das partes que o compõem.

O conceito fundamental determinista do conhecimento das partes ocultava o acaso, o novo, a criatividade, a invenção; os problemas vivos eram submetidos à lógica mecânica da máquina artificial. Foi a época da compartimentalização, que é a visão fragmentária do todo como metodologia própria da especialização.

A especialização abstrai, retira o objeto de seu contexto e de seu conjunto natural; rejeita os laços e a intercomunicação do objeto com o seu contexto, porque separa o objeto do seu meio, criando o compartimento chamado de disciplina científica. O resultado é a divisão do conhecimento.

A divisão do conhecimento em disciplinas com fronteiras bem distintas – Física, Química, Geografia, Biologia, etc. – quebra arbitrariamente a sistematicidade (que é a relação de uma parte com o todo) e a multidimensionalidade dos fenômenos da natureza, da realidade, da cultura e da espiritualidade humana. Impede que as ciências se inter-relacionem e se intercomplementem para compreensão e explicação dos fenômenos do mundo social, da cultura e da espiritualidade.

As disciplinas científicas vistas como inteireza do conhecimento humano, sob a ótica da sistematicidade e da multidimensionalidade, exigem inteligência geral muito bem formada, a fim de que os dados particulares de um fenômeno sejam analisados, compreendidos e explicitados. É importante que tenhamos consciência de que o estudo das disciplinas (ciências) não deixou de ser necessário, mas é preciso fazê-lo com entendimento metodológico – multidisciplinar, a fim de que se tenha clareza da função própria de cada ciência; interdisciplinar, pelo diálogo das diversas disciplinas; transdisciplinar, pelo emprego da função de cada ciência, para a solução de um problema e/ou para que a compreensão/explicitação de um fenômeno seja compartilhada.

Aí, cada ciência em sua função específica se entrelaça com as outras e tem o conhecimento necessário para o todo: o problema, o fenômeno, o objeto.

Para se conhecer ou construir o todo é necessário senti-lo sem decompô-lo em partes, sabendo que o todo, antes da separação das suas partes, precisa estar desenhado no espírito do homem, senão ele jamais voltará a ser um todo. Essa forma ou método chama-se de pensamento complexo, conforme define E. Morin:

O pensamento complexo, o complexus, signifca, originalmente, ligar, tecer junto.

(Fonte: http://geccom.incubadora.fapesp.br/portal.)
[A página já não está disponível. Oferecemos outra fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexidade ]

O Hiperlivro é um material didático que tem por objetivo principal, no presente momento, a ensinagem de conteúdos de Física, estimulando a construção do pensamento complexo, o qual não se constrói sem a participação simultânea da inteligência geral. Em futuro próximo, desenvolver-se-á a ensinagem de várias ciências.

Em síntese, o Hiperlivro é também uma proposta pedagógica que, pelo seu significado essencial de construir o pensamento complexo e a inteligência geral, postula a compreensão e o diálogo, não somente entre as ciências do espírito humano. Sobremaneira, postula a possibilidade de formar – pelo pensamento complexo – a compreensão da identidade ética entre os homens.

Hiperlivro: conteúdo e metodologia de ensinagem da necessária paixão/compaixão do ser humano pelo outro, como se fosse por si mesmo.

 

AO PROFESSOR
Por João Monteiro

Caro colega, não espere encontrar sugestões mágicas para utilização eficiente deste material. Sabemos que não existe uma receita para o processo de ensinagem. A nosso ver, sequer existe uma receita para aulas eficientes. A eficiência de uma aula depende de um conjunto de fatores com os quais nós, os autores, não temos contato neste exato momento. Uma avaliação coerente, lúcida e contextualizada do seu grupo de estudantes cabe a você, professor, que é capacitado para detectar dificuldades e possibilidades de intervenção. O sucesso do trabalho educacional depende da sensibilidade dos mestres em perceber as peculiaridades de seus alunos e agir na direção dos seus anseios e das metas projetadas para o processo ensino-aprendizagem.

Então, o que pretendemos com as linhas que seguem?

Apresentaremos aqui a visão e as motivações daqueles que trabalham no desenvolvimento de nossa proposta educacional. Como a estrutura do empreendimento é pautada pela expectativa de modificações progressivas, de acordo com as demandas de uma sociedade da informação e do conhecimento, escolhemos uma designação que referencia esse perfil: Hiperlivro.

Em primeiro lugar, o Hiperlivro é uma contribuição para que a sua aula atinja os objetivos preestabelecidos por todos os envolvidos no processo. Permita-nos uma sugestão: jamais assuma sozinho a responsabilidade pela construção de todo o arcabouço do processo de ensinagem. Compartilhe com todos os envolvidos suas perspectivas, intenções e dúvidas.

O professor está na linha de frente, tendo, por isso, uma visão privilegiada do processo educacional. Se a aula tem formato tradicional, essa visão é individual. O professor é, consequentemente, um dos atores desse processo complexo que ocorre em um palco dotado de características muito peculiares, resultantes das interações internas (entre alunos e professores) e das interferências dos diferentes ambientes exteriores dentro da própria escola (todos os demais profissionais indiretamente ligados ao processo) ou fora dela (as famílias ali representadas que, por sua vez, também representam diferentes nichos sociais).

Já está consolidado o pensamento pedagógico que vê o processo educacional como um complexo no qual o aluno deixa de ser o elemento receptor das informações para funcionar como parte fundamental de uma dinâmica de construção do conhecimento, sendo protagonista de sua aprendizagem. Por isso, no “palco” da ação educacional não deve existir um ator principal. Assim, nossa ideia de EDUCAÇÃO se desenvolve a partir do protagonismo do aluno e é direcionada para práticas que o façam se perceber como elemento-chave integrante de um “corpo” maior. Tal “corpo” seria uma abstração, mas uma abstração com personalidade e muito sensível. Esse “corpo” que absorve professor e aluno em rede interativa reage a qualquer modificação imposta em seu contexto interno e externo, para o bem e para o mal.

Nosso aluno tem de estar preparado para cumprir sua função nessa abstração, pois ela é uma rede relacional. Ele tem de ser forte o suficiente para, quando necessário, quebrar paradigmas ou, quem sabe, ser contrário a atitudes que tendam a corromper o “corpo”. E precisa ser sensível para perceber o quanto e como cada palavra ou atitude sua irão interferir na dinâmica de crescimento desse todo.

Nossa proposta busca apresentar aos estudantes possibilidades amplas de análise do universo do qual ele faz parte como ator fundamental. A perspectiva que predomina em nosso material é científica, chancelada por saberes constituídos nas diversas áreas do conhecimento. Porém, um olhar de conjunto nos leva a estabelecer links com outras formas de interpretação do mundo, de maneira a operar uma ação de desfragmentação do conhecimento, para que os discentes não se limitem à compartimentação disciplinar (História, Geografia, Biologia, etc.). Essa prática permite aos alunos experimentar variadas abordagens, o que facilita a compreensão dos objetos, por mais complexos que possam parecer. Além disso, estimula a capacidade de observação da realidade, bem como o senso crítico e a formação da opinião e sua expressão adequada. Nem é necessário mencionar que tais habilidades se mostrarão fundamentais tanto no Ensino Médio quanto no Superior, sendo fundamentais no desenvolvimento de uma vida plena, produtiva e socialmente responsável.

Um outro ponto a salientar é nunca esquecer que os objetivos não devem assumir um papel mais importante do que o alvo. Uma avaliação cuidadosa pode nos levar à conclusão de que um determinado objetivo está baseado em paradigmas obsoletos e ultrapassados. E, sinceramente, não é necessária uma análise complexa e aprofundada para percebermos que muitos objetivos hoje estabelecidos não cabem na realidade vigente. A escola e a universidade ainda estão presas a verdades relativas a um passado que morreu e que, por tradição, saudosismo, medo ou outros valores não estão conseguindo enterrar.

Acreditamos que as motivações humanas não mudaram muito desde o momento em que o homem se percebeu capaz de fazer muito mais que os demais seres vivos. As dúvidas, as inseguranças, os medos, entre outros sentimentos, impulsionam a humanidade à busca de um futuro melhor. Contudo, o mundo contemporâneo se apresenta através de perspectivas muito diferentes daquelas a que nos acostumamos ao longo da história. As relações de hoje são mediadas por tecnologias e avanços no campo da ciência que nos abrem infinitas possibilidades de construção de conhecimento e multiplicação de informações. Vivemos realidades múltiplas e dinâmicas que nos obrigam a buscar novas formas de interação e apreensão das informações e consequente elaboração de ideias e construção de conhecimento. Sendo assim, somos obrigados a enfrentar obstáculos desconhecidos e inventar maneiras diferenciadas de lidar com um mundo em constante transformação, é claro, só que bem mais rápido do que sempre foi. As motivações e anseios são os mesmos. As soluções precisam ser diferentes.

Nós, que constituímos a instituição Escola/Universidade, estivemos, até agora, ensinando nossos estudantes a usar tacapes para enfrentar cibermonstros. Fornecendo-lhes lunetas para observar o infinito. Com a sua permissão para um trocadilho quântico: temos conduzido nossos aprendizes, através de nossas práticas educacionais, a realizar análises baseadas em medidas que apenas expressam uma das infinitas possibilidades; mais precisamente, temos colapsado as infinitas possibilidades de resultados e com isso empobrecido, limitando a análise da realidade. Realidade essa que está longe de ser concreta e absoluta, mas é abstrata e relativa. O Hiperlivro surge nesse contexto, contribuindo com o desenvolvimento de uma nova perspectiva do processo de ensinagem e, naturalmente, promovendo uma forma inovadora de interação entre professores e alunos.

Já que falamos em abstração e relatividade, cabe, então, uma última análise antes de finalizar.

O que ocorre quando tentamos traduzir ao pé da letra expressões de uma língua para outra? Perde-se completa ou parcialmente o significado original, não é mesmo? Isso ocorre porque os sentidos linguísticos são abstratos e relativos à cultura em que estão inseridos e na qual foram constituídos. Para que alguém entenda conteúdos construídos em uma língua, é necessário que essa pessoa consiga abstrair a sua própria língua materna e raciocinar a partir de ideias componentes de formas de pensar diferentes das suas. É uma experiência de alteridade em dois sentidos: mostra que as pessoas são diferentes entre si, sempre, de forma que aprender exige o esforço de ampliar a perspectiva para além de si mesmo; aprender, também, é se abrir a experiências que se processam nas relações mentais e afetivas, e não apenas na realidade concreta do senso comum. Por isso, ficar preso ao senso comum e ao mundo como experiência concreta é promover a aprendizagem de maneira equivocada.

Até quando iremos incentivar nossos estudantes a traduzir para o “concreto” fenômenos completamente abstratos? Vejamos outro exemplo desse problema.

Se estivermos assistindo a um filme, por exemplo, em inglês e tentarmos traduzir palavra por palavra para o português, será que teremos a compreensão correta da história? Imaginemos que não possamos parar o filme e retornar ao trecho não compreendido. É o que regularmente acontece em uma sala de aula tradicional: o aluno não pode solicitar o “replay”.

Agora, imaginemos que parássemos tantas vezes quantas fossem necessárias à perfeita compreensão. O tempo que levaríamos seria tão grande que, provavelmente, nós nos cansaríamos e desistiríamos do filme. Isso, com razoável frequência, também acontece em nossas salas de aula: ótimos alunos perdem o estímulo graças às inúmeras repetições necessárias para a maioria, mas não para eles.

Nossa proposta multidisciplinar, o Hiperlivro, poderá contribuir significativamente para resolver esse problema, visto que o estudante terá a oportunidade de navegar, sob orientação, por todo o conhecimento fundamental à compreensão do tema preestabelecido. Ele poderá: ir e vir, tantas vezes quantas forem necessárias, pois estará estudando no ciberespaço; deixar dúvidas nos fóruns; ter aulas particulares on-line; participar de seminários virtuais; participar de um sem número de atividades nas quais suas dificuldades serão tratadas de forma personalizada.

Vamos refletir mais um pouco. Ao longo de sua vida, em casa e na escola, os estudantes foram poupados de reflexões que nós, pais e professores, julgamos complexas. Então, de repente, começamos a apresentar “coisas” como Matemática, Física, Química, etc., supondo que eles já estão prontos para absorvê-las. Por outro lado, é possível que eles já estejam prontos e nós não saibamos lidar com isso. Ou não tenhamos contribuído de forma adequada para preparar um solo fértil (suas mentes) antes da semeadura. O fato é que nunca saberemos ao certo a razão dos insucessos no processo ensino-aprendizagem, mas o projeto Hiperlivro reflete a intenção de conjugar trabalho árduo, qualificação profissional, mentes progressistas e muito idealismo na concepção de um material didático que vem para arriscar a busca incansável dessas respostas tão preciosas.

É fato que existem grupos que já estão avançando bastante na exploração dos potenciais de nossos estudantes: os fabricantes de jogos, os produtores de filmes, os traficantes, entre outros. Não estão poupando dinheiro nem esforços para conquistar esses solos férteis e lucrativos. Enquanto nós, educadores, temos, até agora, comodamente assistido, fazendo contas dos prejuízos que as instituições de ensino hoje têm com a inadimplência, com as vantagens trabalhistas dos professores, lamentando-nos diariamente nas salas de professores sobre os inúmeros problemas que nos afligem. Enfim, o tempo passou e o que fizemos não contribuiu para a solução do verdadeiro problema: a escola e a universidade não evoluíram junto com o ser humano; são partes, pouco harmonizadas, de um dinossauro.

Não é nossa intenção pretender, com o Hiperlivro, resolver as questões levantadas até aqui. São situações de enorme complexidade. Contudo, a construção do Hiperlivro conta com um grupo de especialistas que cresce a cada dia, tendo em mente todas os problemas envolvidos na relação escola/sociedade, bem como a complexidade que eles alcançam.

Cremos que muitos materiais pecam por excesso, outros, por falta de profundidade no tratamento de temas fundamentais. Nós buscamos o equilíbrio e sabemos que ele não é estável. O ser humano está, continuamente, em transformação. Portanto, é natural que exista para cada estágio um conjunto de estados de equilíbrio compatíveis com as diferentes realidades.

É fato que as organizações educacionais não acompanham o ritmo acelerado de transformações promovidas pela tecnologia da informação. Em muitos casos, são negligentes, pois deixam de lançar mão das tecnologias disponíveis, que poderiam ser utilizadas em favor do seu próprio crescimento. Não perceberam que hoje temos “ciberestudantes” soltos no ciberespaço, à mercê de “cibermonstros”. Conscientes da realidade vigente, estamos nos apropriando da porção necessária e suficiente do ciberespaço pelo qual nossos estudantes já transitam livremente, sem orientação nem critério. Estamos aproveitando as inúmeras ferramentas tecnológicas já disponíveis, cuja eficiência e eficácia já foram comprovadas por setores que não têm nenhum compromisso com o bem social, pois as utilizam para criar vícios e cultivar desvalores.

Nenhuma ferramenta tecnológica será capaz de substituir o professor. Recusamos qualquer ideia que veja o professor como um mero intermediário entre o conhecimento e o aluno. Entendemos que os professores realizam a delicada tarefa de conduzir o aluno na jornada de autodescoberta, em que ele perceberá seu potencial e poderá acessá-lo, a fim de absorver informações e apreender conteúdos que poderá transformar em experiência subjetiva – conhecimento. Por isso, não subestimamos nem superestimamos o aluno. E também reconhecemos a importância do professor no processo ensino-aprendizagem, que é um complexo dinâmico e afetivo. Sendo assim, entendemos que professor é aquele que vai muito além da aula ministrada e da preocupação com os conteúdos formais: é alguém que reconhece a potencial de humanidade presente nas ações de ensinar e aprender. Do contrário, será menos eficiente do que ferramentas tecnológicas.

Para finalizar, caro colega, agradecemos a confiança depositada em nossa proposta. Seria uma honra incluir neste material o fruto de suas experiências. Nosso objetivo é atingir o estudante e contribuir para o seu crescimento. Você poderá participar deste Projeto de diversas formas. Entre no site onde está hospedado o Hiperlivro e escolha a sua!

 

AO ESTUDANTE
Por João Monteiro

Querido estudante, provavelmente você já escutou falar bastante da Física. Não estamos nos referindo aos comentários consequentes das dificuldades vividas por muitos, quando se veem obrigados a estudá-la sem um objetivo previamente definido e bem claro. Estamos nos referindo às inúmeras contribuições ao desenvolvimento de diversas tecnologias e ao esclarecimento de diversos fenômenos estudados por outras áreas de conhecimento. A verdade é que, hoje em dia, é muito difícil encontrar algo em que a Física não tenha, direta ou indiretamente, exercido alguma influência. Não estamos querendo dizer que a Física seja mais importante ou mais interessante que as demais áreas do conhecimento. Todas têm igual importância e beleza. Mas aqui nosso foco é a Física, combinado?

É muito importante que você nos ajude, permitindo que possamos tratar o solo fértil que é a sua mente e, depois, aceite as sementes que iremos lançar. Muitas dessas sementes irão germinar, crescer e dar frutos. Outras podem até morrer. Mas é assim mesmo, cada solo tem suas próprias características. A mente de cada pessoa é única: algumas são melhores para Química, outras, para História. E quanto à sua mente, você já sabe que área do saber humano poderá germinar, crescer e dar frutos? Pode ser que você não tenha ainda essa resposta. Mas, com certeza, você encontrará no momento certo a resposta a essa e outras questões. Existe até a possibilidade de que a Física seja uma das sementes perfeitamente adequadas a sua mente. Por isso, façamos um acordo: não faça nenhum julgamento prévio. Permita-nos falar sobre ela sem preconceitos. Partamos da hipótese de que a Física reúne um conjunto de ideias interessantes. Não estamos querendo iludi-lo. Algumas vezes você terá dificuldades. Tais dificuldades, entretanto, devem servir de tempero. Sim, exatamente isso, tempero, pois a Física é um dos alimentos mais nutritivos ao nosso intelecto.

Você pode estar pensando: semente, solo, alimento, tempero, que loucura é essa? Espero que se acostume; iremos usar, com muita frequência, ideias estabelecidas no cotidiano para que alcance, com mais facilidade, ideias importantes para a Física. Continuemos, então, com nossa linguagem figurada.

Da mesma forma que você deve se alimentar, para que seu corpo cumpra harmonicamente suas funções, e fazer exercício, para manter essa máquina maravilhosa em forma, sua mente necessita de conhecimento, que é o alimento, e também de reflexão, que é o exercício necessário ao crescimento intelectual. Há quem defenda também a necessidade do alimento espiritual. Vale salientar: nós, que estamos produzindo este material, temos a convicção de que o Homem tem existência trina – corpo, intelecto e espírito. Esse é o tripé que pode garantir o seu equilíbrio. Mas não é esse o espaço adequado para que defendamos nossas convicções acerca dessa dimensão humana. Muitos têm outros pontos de vista. E é importante que saibamos, oportunamente, defender nossos pontos de vista sem desrespeitar os das outras pessoas.

Retornemos ao que, no momento, está mais próximo do principal objetivo deste material. E esperamos que você, junto com seus colegas e seu professor, participe dos inúmeros banquetes: cada aula deve ser encarada como um momento de partilha, doação e oportunidade de expressar os melhores sentimentos. É possível fazer uma aula interessante, por mais “complicado” que seja o conteúdo abordado. Na verdade, tudo é complicado até que esteja perfeitamente esclarecido em nossa mente. Você tem que ser insistente, tem de perguntar tantas vezes quantas forem necessárias e, durante uma exposição de ideias, seja de um professor ou de um colega, jamais deve desviar sua atenção por muito tempo, mas, se acontecer, peça para ele repetir. Eu sei, existe uma infinidade de outras coisas interessantes para você pensar. Contudo, é muito importante que perceba que tudo tem o tempo e o local certos, que aprenda a eleger prioridades no seu cotidiano e que entenda que você tem de cumprir com seus deveres e obrigações. Somente assim obterá o sucesso e a independência que, muito provavelmente, é um de seus principais sonhos.

Gostaríamos de finalizar levantando uma questão muito importante. No parágrafo anterior destacamos a importância de suas atitudes para o seu sucesso. Agora, gostaríamos de refletir sobre o papel que você deve assumir no “corpo” maior do qual faz parte: sua família, seus amigos ou a sociedade como um todo. Já percebeu o quanto você interfere e, por isso, é importante na vida de muitas pessoas? Uma palavra ou mesmo um simples gesto seu tem poder de fazer alguém sorrir ou chorar! Você, por exemplo, pode contribuir para que uma aula seja muito boa: demonstrando interesse com seus olhares e expressões, lançando questões oportunamente, contribuindo com experiências e conhecimentos, entre outras atitudes. E na sua casa, de que forma pode contribuir para que seus responsáveis se sintam mais felizes, mesmo diante de tantos problemas que os afligem? Cuidado! Não estamos querendo dizer que você sozinho seja o responsável pela felicidade ou infelicidade das inúmeras pessoas que o cercam. Queremos que você tenha consciência da sua importância na vida das pessoas e no mundo à sua volta. A felicidade, o sucesso, o prazer, entre outros anseios humanos, só têm sentido se compartilhados com outros.

Esperamos que aproveite bastante este período de descobertas e não se esqueça de nosso acordo: não faça nenhum julgamento prematuro e muito menos condene a Física baseando-se em preconceitos.

Este ano nosso material está passando por grandes transformações e, conforme já expressas na introdução (na página “Aluno” de nosso site), passaremos a denominar essa proposta de Hiperlivro. Usando uma expressão que certamente você conhece, estamos promovendo um upgrade que certamente ampliará as possibilidades e oferecerá caminhos para que muitas dificuldades sejam superadas. Leia atentamente as orientações metodológicas.

 

HIPERLIVRO DE QUÍMICA
Por Anderson Silva

AO PROFESSOR

 

AO ESTUDANTE

Estou de volta! O João Monteiro de 2020.

Você acha mesmo que esse empreendimento fracassou? O mundo, durante esses 13 anos, caminhou em que direção? É verdade que muitos se frustraram com o descontinuidade do Hiperlivro, inclusive o João Monteiro de 2009. Hoje, entretanto, minha perspectiva foi aprimorada.

Todo projeto educacional com objetivos definidos, planejamento cuidadoso e ações coerentes, na perspectiva do idealizador e de todos os que o integram, terá sempre sucesso. A avaliação na perspectiva de um educador empreendedor é muito diferente de outras perspectivas do negócio.

O processo de avaliação em educação nunca foi e nunca será fácil e objetivo, visto que o alvo das ações educacionais são seres humanos. Mas, o que tem a ver “avaliação” e “sucesso” com a descontinuidade do projeto Hiperlivro? TUDO. É através das avaliações que verificamos se os objetivos foram alcançados, seja no processo ensino-aprendizagem ou em empreendimentos educacionais.

Reflitamos brevemente nas avaliações a que são submetidos nossos alunos. Temos que reconhecer que, como educadores e organizações educacionais, falhamos muitas vezes no processo de avaliação. Cada aluno é “um ser único” e para cada um existem o tempo e as formas adequadas e diferenciadas de avaliações. Veja: eu falei “avaliações”! Uma avaliação raramente irá ser capaz de indicar se os objetivos foram alcançados. São necessárias avaliações diversificadas ao longo do processo. E podemos ainda projetar o sem número de avaliações que só serão aplicadas no futuro, não pelos educadores, mas pela própria sociedade onde nosso aluno irá cumprir o seu papel social.

Lembrei-me agora de um grande professor que teve um papel fundamental na formação do educador que sou hoje. Um professor de Matemática, quando ainda estava em Maceió-AL. O grande mestre, no início do curso, disse que sua consciência, há muito, fazia-lhe sentir mal e até constrangido quando tinha que reprovar alunos. Entretanto, sabia que, algumas vezes, não há outra alternativa. E falou o porquê de seus sentimentos. Ele havia sido professor do cantor e compositor Djavan, quando este era somente um menino que morava em Alagoas. E, com lágrimas nos olhos, ele disse – Quem sou eu para reprovar o Dijavan! Eu reprovei o Dijavan! E continuou. “Hoje sou fã do grande compositor e cantor que se tornou”. Trago à mente esse depoimento em todos os momentos em que estou envolvido em um processo de avaliação. Inclusive, hoje, quando avalio o João Monteiro e todos que empreenderam no Hiperlivro, muito bem descrito pelos educadores que o apresentaram acima: Luzinete, João e Anderson. Verdadeiramente, o próprio tempo evidenciou o sucesso da proposta Hiperlivro. Em EDUCAÇÃO é assim: os educadores plantam e semeiam para que a sociedade colha os frutos.

Se você tem uma grande ideia, materialize-a! Mas, antes, você tem que fazer uma autoavaliação. Pergunte-se se você está pronto para investir em empreendimentos de longo prazo e tem os recursos necessários. Poucos são os empreendimentos com metas de curto prazo em educação. Se você é educador, é também experiente em projetos com metas de longas.

Os recursos a que me referi não são necessariamente financeiros. O seu tempo é um recurso precioso. Seus conhecimentos também são recursos. Suas capacidades, habilidades e experiências devem ser os principais recursos nos seus empreendimentos.

Caso decida empreender em educação, a rede Educador24hOnline é o ambiente adequado, pois é gerida por quem durante toda a sua vida profissional empreendeu em propostas educacionais inovadoras.

Existe uma frase que uso com meus filhos, alunos e equipes que coordeno:

O difícil a gente faz na hora. O impossível só demora mais um pouco.

Lembra que disse que iria desafiá-lo? Chegou a hora.

Olhe para dentro de você e, considerando todas as suas qualidades, responda:

Por que nunca tive coragem de ir além?

 

 

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